O Criptograma Indecifrável de Edgar Allan Poe

por Denilson Carareto (de3103@yahoo.com.br ) escrito em 28/03/2008

Além de ser considerado um dos maiores escritores e poetas de toda a literatura universal. Ter seu talento literário reconhecido, mesmo por aqueles que não apreciam seu gênero, Edgar Allan Poe (Boston, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, 7 de Outubro de 1849), também era fascinado pela arte da criptografia (Do Grego kryptós , "escondido", e gráphein , "escrita").

 Poe obcecado pela morte, o tema central de muita de suas histórias como em 1843 nos contos "The tell-tale-heart" ("O Coração Revelador") , como também em "The Gold-Bug" ("O Escaravelho de Ouro") , no qual se centra em tentar encontrar a solução de um criptograma que revelaria o local do tesouro de um pirata. Mesmo além destes contos não é estranho observar na obra de Poe referências a arte da escrita obscura.

Em uma série de artigos que publicou na revista "Alexander's Weekly Messenger" em dezembro de 1839 ele desafiou seus leitores para que enviassem criptogramas dos mais difíceis possíveis para que ele encontra-se uma solução. Nos cinco meses seguintes Poe publicara a solução de todos eles, além de fazer suas considerações pessoais sobre a criptologia.

Em maio de 1840 Poe deixara de escrever no Messenger, mas no ano seguinte publicou na "Graham's Magazine" um texto intitulado "A Few Words on Secret Writing" em uma série de três artigos, neste trabalho e nos outros que se seguiram afirmava ter decifrado aproximadamente cem criptogramas que os leitores do Messenger lhe haviam enviado. Conta a história que em dezembro de 1841 Poe recebera dois criptogramas numa carta de um leitor que se identificou como Mr. W. B. Tyler. Poe jamais publicou a solução para tais criptogramas, dizendo que ele não tinha tempo hábil para resolvê-los, deixando tal tarefa a cargo de seus leitores.

E o que mais intriga é que segundo estudiosos da vida e obra de Edgar Allan Poe, o próprio Poe fora o autor destes dois criptogramas. E qual então seria o mistério por trás destas cifras e o que Allan Poe queria guardar de mensagem para a posteridade? Ele poderia perfeitamente ter ocultado segredos e mistérios em seus dois impenetráveis criptogramas?!

Este mistério que permaneceu por cerca de 151 anos sem resposta, atravessando mais de um século, intrigando a mente de estudiosos e intelectuais mundo afora, teve que esperar o ano de 1992 até que um estudante de doutorando na Universidade de Duke (Durham - Carolina do Norte), Terence Whalen, decifrou o primeiro dos dois criptogramas. Ficou revelado que tratava-se de uma passagem de uma obra trágica de 1713 entitulada "Cato" do escritor inglês Joseph Addison, que a priori não estabelece relação alguma com a obra de Poe.

Texto decifrado desta primeira mensagem:

"The soul secure in her existence smiles at the drawn dagger and defies its point. The stars shall fade away, the sun himself grow dim with age and nature sink in years, but thou shalt flourish in immortal youth, unhurt amid the war of elements, the wreck of matter and the crush of worlds."

O segundo criptograma, considerado muitíssimo mais complexo, deve de aguardar mais algum tempo para que fosse solucionado por uma programador de computador, o israelense Gil Broza, atualmente consultor em TI em Toronto. Broza se emprenhou durante vários meses com o auxílio de programas desenvolvidos especificamente para esta finalidade e computadores dos mais sofisticado na época. A solução foi premiada com US$ 2500 em outubro do ano 2000 pelo Williams College, (Willianstown). Shawn J. Rosenheim , um erudito de Poe e professor deste colégio que havia pensado o problema durante anos estabeleceu o concurso em 1996, patrocinado por este colégio. Após decriptado  o segundo problema revelou ser mais decepcionante que o primeiro, pois não se estabeleceu sequer uma autoria e nenhuma relação aparentemente com Poe. Ademais, continuam as especulações de que Poe poderia ou não ser o autor destas cifras e que talvez teria, mesmo que já decriptado, uma mensagem oculta não interpretada nestes textos.

 

 

Texto decifrado da segunda mensagem:

It was early spring, warm and sultry glowed the afternoon. The very breezes seemed to share the delicious langour of universal nature, are laden the various and mingled perfumes of the rose and the -essaerne (?), the woodbine and its wildflower. They slowly wafted their fragrant offering to the open window where sat the lovers. The ardent sun shoot fell upon her blushing face and its gentle beauty was more like the creation of romance or the fair inspiration of a dream than the actual reality on earth. Tenderly her lover gazed upon her as the clusterous ringlets were edged (?) by amorous and sportive zephyrs and when he perceived (?) the rude intrusion of the sunlight he sprang to draw the curtain but softly she stayed him. "No, no, dear Charles," she softly said, "much rather you'ld I have a little sun than no air at all."

 

Referências:

Site que propôs o concurso para a solução do segundo criptograma

http://www.bokler.com/eapoe.html

Site do Professor Terence Whalen

http://www.uic.edu/depts/engl/faculty/prof/twhalen/bio.htm

Shawn J Rosenheim
http://www.williams.edu/English/people/faculty/SRosenheim.htm

Gil Broza
http://www.cutter.com/meet-our-experts/brozag.html

Link do melhor site sobre Poe com informações sobre sua escrita enigmática

http://www.eapoe.org/works/info/peswr.htm