VÉSPER

 

Era em pleno verão. Andava a noite em meio. E as estrelas, no seu revoluteio,

luziam desbotadas, ao clarão maior da lua fria, que, entre a turba dos astros dos

céus vinha lançar seu brilho sobre o mar.

 

Olhei por um instante o seu sorriso enregelante, para mim frio, tão frio... E lá

passou, qual fúnebre atavio, uma nuvem, que em flocos se repane. Voltei-me

então, a olhar-te, Vésper altiva e nobre, de esplendor que a distância não encobre,

e mais caro teu brilho me há de ser; pois o prazer é o que de mais esplêndido tu

trazes para o meu coração, nas rondas que, no céu, à noite, fazes, e é bem maior a

minha admiração por tua chama afastada que por aquela luz, tão perto, mas

gelada.